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China: nosso próximo desafio econômico


Por Vinicius Campos

A China está desacelerando. Após longos anos de socialismo à la China, o país começou a se globalizar e a crescer aceleradamente. Sua mão de obra barata (barateada pelo regime socialista) deu, por um longo tempo, competitividade à economia chinesa.

Livre de grande parte das amarras do socialismo e globalizada, a China acelerou e começou a crescer. Mas o Estado chinês ainda estava atuante e não se conteve. Ao invés de se colocar apenas como telespectador do crescimento, ou seja, posição que cabe a um Estado (passivo, corretor de falhas, e não ativo/planejador) passou a praticar o que chamo de "Keynesianismo de Boteco", irrigando o mercado de crédito barato mesmo com o país crescendo economicamente. Acelerou ainda mais o crescimento? Sim, mas o tornou insustentável. A farra de crédito e o dinheiro barato advindo desse criaram mercados especulativos.

Quanto mais o Estado barateia o dinheiro, mais este jorra para investimento sem sentido algum (os investidores perdem a noção do valor desse). O baixo custo do dinheiro reduz a aversão ao risco a ponto de fazer o mercado perder qualquer racionalidade mediante a seus investimentos. Não há mais preocupação se os investimentos estão pautados ativos com robustez econômica, ou seja, se há fundamento real, mas sim se o preço subirá no curto prazo, independente da origem do ativo. A especulação tem criado bolhas e o mercado imobiliário, também incentivado exageradamente, chegou ao absurdo de criar cidades fantasmas, isso porque as casas não eram mais utilizadas para se morar, mas para se investir especulativamente, ganhando no aumento do preço em curto prazo. O mercado perdeu a racionalidade.

A China, prestes a fazer um pouso forçado. O governo chinês preconiza seu desespero praticando queda proposital e acentuada de sua moeda. Nessa quinta-feira (07/01/16) o mercado chinês teve um dos menores pregões de sua história, encerrando em meia hora após seu inicio, acionando um mecanismo chamado circuit breaker (quando as ações despencam, interrompendo os negócios) pela segunda vez na semana. A queda da economia chinesa afetará o Brasil. Quando? Não há como se ter certeza. Fomos pegos pela crise de 2008, pela desaceleração dos preços da commodities, e em vez de Dilma Rousseff fazer o que Lula não havia feito, isto é, reduzir o aparato burocrático/custoso do Estado, fez justamente o oposto e fragilizou ainda mais nossa economia. Logo, não estamos nem um pouco preparados para um colapso chinês (nosso MAIOR parceiro comercial, atualmente).

O quanto isso nos afetará? Também não há como saber. Acredito que impactará significativamente nosso poder de compra. Com uma queda do mercado externo, o governo brasileiro poderia tomar dois tipos de atitude: reduzir gastos, passar por uma reforma profunda, resolver problemas de burocracia, reduzir impostos, ceder infraestrutura ao setor privado (sem corporativismo e "seletivismo"), ou, em uma segunda opção, baratear o Real para que nossos produtos estejam mais baratos lá fora, e, assim, não ter a necessidade de mudar a estrutura de Estado. Isto geraria inflação e queda na importação por seu encarecimento. Traduzindo, passar a conta para a população pagar. Eu, particularmente, aposto na segunda.

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