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Sugestão a Bolsonaro: crie um partido liberal-conservador


Por Wilson Oliveira

Com a crise que veio com tudo e pegou em cheio absolutamente toda a classe política brasileira, não consigo enxergar nenhum político que carregue tanta aceitação junto ao povo como o deputado Jair Bolsonaro (e são seguidores espontâneos, que realmente o admiram sem receber dinheiro nem sanduíche). E esse pessoal possui uma resistência elogiável, pois também não há outro parlamentar tão massacrado como o citado. Algumas atitudes e alguns depoimentos mais pesados fazem de Bolsonaro um político que não segue a cartilha do politicamente correto (que muitas vezes é confundida no Brasil com demagogia prolixa).

E essa multidão, cada vez maior, que o segue muito provavelmente faz isso, além do fato dele não possuir nenhum escândalo de corrupção nas costas, justamente por se tratar de uma figura pública que fala o que pensa sem medo de desagradar outras pessoas. E ele desagrada. E não são poucos. Mas o fato é que numa era de campanhas políticas elaboradas por equipes de marketing e debates focados em troca de acusações que mais parecem um teatro de quinta categoria, Bolsonaro mostra uma identidade de pensamentos.

De todos os brasileiros que realmente acompanham política, ninguém tem dúvidas de quais são as opiniões do deputado pelo Rio de Janeiro sobre os assuntos mais polêmicos. Sem dúvida alguma trata-se de um líder das circunstâncias em que se encontra a política brasileira nesse momento, em que tradicionais líderes como Lula e Aécio Neves estão rodeados de dúvidas quanto ao potencial eleitoral que possuem, pois o índice de rejeição que cada um acumula não é pequeno. Na última pesquisa Datafolha, divulgada dia 19 de dezembro, Lula aparece com 48% de rejeição, enquanto Aécio tem 26%, Michel Temer 26% e Geraldo Alckmin 21%. Ou seja, todos esses apareceram com mais rejeição que Bolsonaro, que alcançou 17% nessa questão (a pesquisa não fez amostra do quanto ele teria de votação).

O cenário político-partidário no Brasil está nebuloso. Ao sair na rua perguntando para as pessoas em qual sigla elas confiam ou, de forma ainda mais profunda, qual partido as representa, a chance da resposta mais comum ser "nenhuma" para a primeira e "nenhum" para a segunda pergunta é enorme. É exatamente por tudo isso colocado neste texto que de forma humilde faz aqui apenas uma sugestão ao deputado Jair Bolsonaro: que ele crie um partido liberal-conservador. Ainda mais numa "democracia" como a nossa, em que quase todos os partidos seguem a cartilha estatizante, ainda que em graus diferentes (nenhum partido com representação no Congresso tem como projeto diminuir o poder dos políticos brasileiros).

As últimas notícias acerca dos próximos passos de Bolsonaro é que ele estaria de saída do PP migrando para o PSC, visando uma candidatura à presidência em 2018. Essa mudança seria compreensível por diversos fatores. Primeiro que o Partido Progressista virou um verdadeiro filme queimado com a quantidade de integrantes envolvidos no esquema do Petrolão. Além disso, nova resolução do TSE dificultou ainda mais a criação de um partido político no Brasil, estipulando como dois anos o prazo máximo entre a criação da sigla e o seu registro (o Partido Novo, por exemplo, foi criado em 2011 e registrado apenas em 2015).

É espero que muitas pessoas perguntem, ao ler este artigo: "Com tanto partido e ainda tá querendo mais?". Mas essa pergunta precisa ser feita com um embasamento conceitual. Temos, sim, muitos partidos. Acontece que a ampla maioria são fisiológicos (sem projeto definido) ou, como dito, estatizante (propõem cada vez mais Estado, fazendo com que os indivíduos dependam cada vez mais dos governantes). A política no Brasil não sabe o que é um projeto liberal (neoliberalismo não passa de um espantalho), que tem como base a diminuição do Estado, ou seja, a diminuição de poder dos governantes para aumentar o poder dos indivíduos. E caso seja criado um partido liberal-conservador, poderemos ter o outro lado da moeda sendo apresentado ao povo, coisa que o Novo já se mostra disposto a fazer e que aguardamos ansiosamente para verificar (mas que será um contra 34 ou 35, 36...).

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