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Uma crítica aos dogmáticos

Por Ana Zanatta

O Brasil está doente. Vários médicos tentam dar seus diagnósticos diariamente, porém nenhum deles acertou o tratamento ainda. Há quem receite pílulas de liberalismo, outros terapias de conservadorismo, outros ainda gotas de social-democracia. Os mais ousados indicam injeções de socialismo ou um soro anarquista. Mas o fato é que ninguém ainda acertou a dose. Curar um indivíduo apenas já é uma tarefa árdua muitas vezes, agora imagine curar mais de 200 milhões de brasileiros que sofrem de um mesmo mal, porém em diferentes graus. Sim, digo brasileiros, pois “Brasil” não existe por si só, é algo abstrato, e quem está doente somos nós, os brasileiros.


A notícia que trago, triste para alguns, é que não existe o remédio perfeito. Por quê? Porque perfeição não existe, ao menos não nesse mundo. Na nossa cabeça, as teorias parecem funcionar perfeitamente bem, mas, quando aterrissamos de nossos sonhos, percebemos que a vida real nos brinda com muitas surpresas desagradáveis. Cabe a nós encontrarmos a fórmula mais adequada, não a ideal, da medicação, mesmo que para isso tenhamos que tentar inúmeras vezes.

Está na moda defender a liberdade e há indícios de que realmente esse seria o melhor remédio indicado para o Brasil até então. E ninguém em sã consciência dirá que liberdade é algo ruim. Mas, por ela ser boa, pode ser apreciada sem moderação? Isaiah Berlin (1909-1997) dizia que a liberdade plena dos tubarões é a morte das sardinhas e que a liberdade plena dos lobos é a morte dos cordeiros. Quando temos essa noção de que, como humanos, somos imperfeitos, entendemos que até a nossa liberdade precisa de limites, afinal, o homem é o lobo do próprio homem, como disse Thomas Hobbes (1588-1679).

Enquanto uns defendem a liberdade, outros tem saudade de um passado distante, do período monárquico ou do período militar, por exemplo. Não importa se essas épocas eram boas ou não, importa que não podemos voltar no tempo para revivê-las, muito menos para consertá-las. Porém, antes que alguém se levante dizendo que tem esperança no futuro, eu pergunto: Que futuro? Um futuro que nunca chega? Que sempre procrastina? Se você realmente quer mudar o Brasil, viva o presente, analise as circunstâncias atuais, entenda a nossa realidade, não espere um amanhã idealizado, pois também não é possível viajar para um tempo futuro.


Roberto Campos (1917-2001) sabia que “a primeira coisa a fazer no Brasil é abandonarmos a chupeta das utopias em favor da bigorna do realismo”. Mesmo após décadas, essa frase continua atual e significativa. O que não falta no Brasil são adultos que não largam suas chupetas e não têm coragem de enfrentar uma bigorna. Para moldar e polir o ferro, dói, machuca, mas sem isso, continuaremos sendo um minério bruto. Em outras palavras: sejamos pragmáticos.

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