Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

O Rio de Janeiro continua feio politicamente


Por Wilson Oliveira

Infelizmente é com muita tristeza que se pode analisar o cenário político do Rio de Janeiro. Já faz um bom tempo que são sempre os mesmos grupos políticos que disputam eleições, apesar de mudar os rostos. E, embora cada um deles possua interesses específicos que são bem diferentes entre si, na hora que falamos em modelos de governança todos bebem da mesma fonte. Ou seja, são populistas, estatistas, utilizadores de demagogia na hora de disputar o voto. É uma disputa entre centro-esquerdistas com o PSOL mais à esquerda beliscando. Diria até que todos os candidatos tradicionais possuem currais eleitorais. Então é muito difícil trabalhar com a perspectiva de mudança já nesse ano de 2016.

O PMDB precisa ser culpabilizado, pois está no governo há muito tempo mandando não apenas no Estado como no município do Rio e em vários outros, já que governa a maioria. Portanto, se tem um partido que é o maior culpado por tudo o que acontece de ruim no Rio de Janeiro esse partido se chama PMDB. E os principais nomes são Jorge Picciani, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes. São eles que comandam o diretório carioca, são eles que definem os rumos a serem tomados. Mas o pior é que a situação política carioca não é tão simples. Pois ao pensarmos na saída do PMDB, que tem infinitos problemas, corremos o risco de surgir um grupo ainda pior. As alternativas são gente bem mais à esquerda ou gente que defende, em primeiro lugar, os interesses da sua igreja. Geralmente são esses os pilares que definem eleições no Rio. E o que tem acontecido é que entre o ruim e o pior, o pessoal tem eleito o ruim que é o PMDB.

No Rio acontece algo muito curioso. Se a gente pegar o Rio Grande do Sul como exemplo, veremos o fenômeno da dificuldade de um governador se reeleger. Podemos dizer que eleição gaúcha sempre tem a oposição como favorita. Mas no Rio de Janeiro é o contrário. O PMDB sempre parece vencer sem fazer muita força, mesmo com o seu candidato começando lá embaixo nas pesquisas. O povo deve ficar com medo do Garotinho voltar e acaba se unindo por osmose e votando no candidato peemedebista pensando naquele Parque de Madureira, naquela clínica da família, naquele Complexo de Deodoro. São coisas poucas, que absolutamente não resolvem o problema, mas que para o eleitor da zona norte, por exemplo, acaba pesando favoravelmente na balança. E ainda tem a suspeita de sempre de que os milicianos da zona oeste também dão uma força. Então acaba sendo uma máquina praticamente imbatível, que só os candidatos das igrejas evangélicas conseguem fazer frente, mas sempre perdendo.

Os movimentos de esquerda costumavam bater no governo do PMDB aqui no Rio de Janeiro. Nem precisamos ir muito longe. O ex-governador Sérgio Cabral chegou a conviver com um acampamento em frente ao seu apartamento na zona sul momentos antes de entregar o cargo ao seu vice, o agora governador Pezão. Mas curiosamente, após o PMDB carioca mover mundos e fundos para garantir um apoio ao governo Dilma no Congresso, parece que os movimentos de esquerda resolveram relaxar. Infelizmente o Rio de Janeiro padece da falta de um grupo político mais à direita. Até mesmo o PSDB, que embora seja outro partido de centro-esquerda, mas visto como direita por aqueles mais à esquerda, não tem força no Rio de Janeiro. E se os tucanos resolverem lançar um candidato com aparência mais técnica, mais ligado a gestão e menos ao populismo, como o caso do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, certamente não fará nem cócegas a esses grupos que citados mais acima.

Os insatisfeitos com todas essas tradicionais opções ao menos terão o Partido Novo como alternativa. E provavelmente o partido ganhará o voto de boa parcela desses descontentes. Mas estamos falando de descontentes politizados que apoiam o liberalismo - vale dizer que o DCE da PUC teve um liberal sendo eleito presidente -, mas que ainda representa uma fatia muito pequena do eleitorado carioca. E o Novo é um partido que possui alguma fama na zona sul. Mas nas zonas norte e oeste ainda não se ouve falar do partido com viés liberal. Então muito dificilmente veremos o candidato novista passando dos 5% de voto, ainda mais sem poder participar de debate, sem fazer propaganda na TV e sem ter cobertura da mídia na mesma proporção que os tradicionais disputadores.

Já o PSOL sempre é uma ameaça. O partido ocupou um espaço que seria do PT com nomes que hoje são muito fortes como Marcelo Freixo, Jean Wyllys e Chico Alencar. Até há alguns episódios de corrupção que poderiam ser mais explorados pelos adversários, mas que não são porque apesar da força, o PSOL ainda é o quarto partido do Rio hoje, ficando atrás do PMDB, óbvio, do PRB (Crivella) e do PR (Garotinho). O PP poderia surgir com alguma força também, pois além de possuir alguns currais, principalmente na zona norte com o Francisco Dornelles e Dionisio Lins, tem na figura do Bolsonaro um político que conseguiu ficar pop enquanto todos os outros tiveram aumento de rejeição. Mas parece que nem o pai e nem o filho estarão nessa disputa.

Até que essa crise econômica, moral, ética e política que assola o Brasil nos mostre o contrário, não há motivos para acreditarmos que nas eleições municipais de 2016 haverá alguma diferença do que vem ocorrendo nos últimos pleitos. Até imaginava que o Pedro Paulo, provável candidato pelo PMDB, pudesse perder força por conta dos escândalos de agressões à ex-mulher (e é um absurdo no Brasil um homem que já espancou uma mulher poder disputar cargo político). Mas fui convencido pelo também colunista do Capitalismo e Liberdade, Pedro Augusto, que muito eleitor típico do PMDB aqui no Rio não pensa nesses acontecimentos da vida particular do candidato. Querem apenas que ele faça algum agrado, como o Parque de Madureira, a clínica da família, o Complexo de Deodoro. O populismo, que é o maior motivo do atraso da América Latina, acontece com muita ênfase no Rio. No dia que a Cidade Maravilhosa tiver alguma chance de extirpa-lo, aí sim deixaremos de continuar feios politicamente.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.