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Entenda a reorganização das escolas estatais em SP


Por Luis Henrique

A reorganização das escolas estatais em São Paulo, proposta pelo ex-secretário da educação Herman Voorwald, visava transformá-las em ciclos únicos, separando os turnos e tornando as escolas destinadas apenas para determinado ciclo. Ou seja, invés de uma escola conter classes que vão desde o ensino fundamental até o ensino médio, tornariam as escolas destinadas apenas para o ensino fundamental. Ou, se for o caso, apenas para o ensino médio, separando as diferentes faixas etárias. Algumas unidades teriam apenas alunos de 6 a 10 anos; outras receberiam os adolescentes de 11 a 14 anos; outras seriam exclusivas para jovens entre 15 e 17 anos - o sistema de separação dos ciclos vêm ocorrendo também em outros países como Cuba, França e Estados Unidos.

Em São Paulo ocorre a prova do Saresp, que tem por finalidade medir o nível de aprendizagem das escolas do Estado através de provas. Os resultados constataram que as escolas que adotam o sistema da separação de ciclos apresentaram índices de qualidade de 33% em relação às demais, mostrando uma maior eficiência no ensino e colaborando com a aprendizagem dos estudantes.

Entre diversos estudos que foram utilizados para a proposta da reorganização, está o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), que mostrou que unidades que atendem alunos de apenas uma faixa etária têm desempenho melhor. No Ensino Médio, por exemplo, os estudantes que frequentam escolas neste modelo aprenderam 28% mais. Escolas de segmento único, do 1º ao 5º ano, tiveram um rendimento 14,8% superior às demais. Aquelas que oferecem apenas do 6º ao 9º ano obtiveram resultado 15,2% melhor.

Os professores, por sua vez, também seriam beneficiados com a separação dos ciclos. Um professor que se concentra em determinada escola destinada para o ensino médio, por exemplo, poderia trabalhar na escola por dois turnos. Isso permitiria evitar o deslocamento para outras escolas distantes e concentrar os seus estudos somente em determinado período, podendo gerar aulas cada vez mais eficientes ao invés de ter que formular aulas para dois períodos diferentes. Pode-se dizer que quanto mais aulas você lecionar, e em turnos diferentes, para classes diferentes, com conteúdos diferentes, menor será o grau de conhecimento disseminado naquilo que você está explicando. Com isso, pode-se dizer que a reorganização poderá ser benévola até para os professores.

As escolas de ciclo único estariam melhor preparadas, fornecendo uma estrutura mais adaptada para cada nível de aprendizagem. O mesmo ocorreria com os funcionários, que por sua vez estariam mais acostumados a lidar com os alunos daquela faixa etária, podendo assim solucionar possíveis conflitos com uma maior maturidade e experiência. As mudanças na área do ensino seriam benévolas, partindo da premissa que o ensino estatal se encontra em situação precária, e todas as mudanças bem intencionadas nessa área deveriam ser bem vistas e aceitas pelos estudantes, pais e professores.

O atual quadro educacional não deu e nem esta dando resultados plausíveis. Com isso, as mudanças no sistema educacional atual são importantes para tentar alavancar a qualidade do ensino e retirar alunos e professoras da chamada "zona de conforto".



Um comentário:

  1. Excelente texto, condiz exatamente a minha vivência como ex-professor de filosofia no ensino público de São Paulo, já tive oportunidade de lecionar em unidades com estas duas formas de organização e sem o meu nível de aprofundamento e eficiência de ensino foram muito melhores na que era apenas de um ciclo.
    Não por eu lecionar em diversos anos, mas sim pelo ambiente escolar, já que filosofia é ensino apenas no ensino médio.

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