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Discursos de Thatcher: por que o Socialismo e a alta tributação não dão certo


Por Vinicius Campos

Seguem dois discursos pontuais de Margaret Thatcher que gostaria de comentar. O primeiro trata-se do último discurso da Dama de Ferro ao Parlamento britânico, no dia 22 de novembro de 1990, sobre o socialismo e sobre o controle central da Europa.

Discurso 1


“Não há dúvidas de que a primeira ministra, de muitas maneiras, alcançou sucesso considerável. Há uma estatística, entretanto, que eu tenho que questionar... e isso é que, durante seus 11 anos como primeira ministra, a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou substancialmente neste país...”

Thatcher: “O que o nobre cavalheiro está dizendo é que preferiria que os pobres estivessem mais pobres desde que os ricos estivessem menos ricos. Desta maneira, nunca se teria criado a riqueza para melhoria dos serviços sociais como nós fizemos.”

Ainda há, no mundo moderno, quem se preocupe mais com a desigualdade do que com a pobreza extrema. Embora não tratem a questão dessa forma, é exatamente o que defendem. A desigualdade e a liberdade são atributos fundamentais para sociedades ricas e inclusivas, inclusive àquelas sociedades que se utilizam de algum aparato assistencialista, como é o caso dos nórdicos.

É através de liberdade e competitividade que se estimula a alma empreendedora. Naturalmente, como uns são mais aptos a empreender que outros, se destacarão e obterão maior sucesso elevando a desigualdade de renda. Mas isso não é problema algum, é através de geração de riqueza que o Estado tributa para arrecadar a fim de manter sua política assistencialista, que ampara o mais pobre e ajuda a combater a miséria. Foi justamente o que a Dama de Ferro implementou depois de anos que a Inglaterra, inexplicavelmente, sofria com o aumento da pobreza.

Quando se combate a desigualdade cegamente, cerceia-se a liberdade, a criatividade empreendedora e, assim, a geração de riqueza. Acredita-se que, através de uma redistribuição planificada e forçada, o rico se tornará menos rico e o pobre se tornará menos pobre, igualando a renda na média entre as duas classes. Mas o que acontece na prática é que toda a geração de riqueza derrete. Os ricos se tornam menos ricos, é verdade, mas os pobres se tornam mais pobres, deixando o país em igualdade de pobreza.

Se não há geração de riqueza, não há arrecadação do Estado. Assim, para manter seu aparato regulatório de força (a fim de manter a igualdade à força) o Estado aumenta alíquota, enforcando ainda mais a economia e tornando o país ainda mais pobre.

Além disso, a planificação forçosa não só inibe o processo criativo e empreendedor, como citei acima, mas desestimula. Se tivermos um país onde a renda estará nivelada, subentende-se que a contribuição de uns não será substancialmente maior que a de outros, e, se temos pessoas incapazes de gerar mais riqueza do que X, aquele que gera riqueza X+1 se nivelará a este, e não o contrário.

No fim, o cenário será de nivelamento de renda “por baixo”, arrecadação com alíquotas altíssimas (mas, em termos de arrecadação efetiva, baixa), impossibilitando que o Estado pratique políticas públicas. Certamente, a pobreza que minará este Estado o levará a indignação popular e insustentabilidade do mesmo.

Em suma, não se podem igualar os desiguais. Somos naturalmente diferentes, e não devemos empenhar esforços para mudar a natureza humana, mas sim, devemos nos dedicar fervorosamente no combate a pobreza extrema através de liberdade e estímulo ao empreendedorismo. Estimulando os mais aptos a enriquecer, justamente porque serão estes que sustentarão um Estado que trabalhará para assistir aos mais pobres. Foi o que Thatcher fez, e o que garantiu a ascensão da Inglaterra e o amplo combate à pobreza! 

Discurso 2 



Neste discurso, Thatcher discorre sobre a origem do recurso público e como devem ser gastos.

Aqui, a Dama de Ferro dialoga sobre o debate acerca de quanto o Estado deve gastar e o quanto pode ficar em seu bolso para gastar da maneira que achar melhor. O alerta é o de que não há outra fonte para o Estado que não o seu bolso. Ninguém pagará essa conta a não ser você. E essa é uma verdade fundamental. Por vezes, ao nos referir ao “recurso público”, acabamos nos esquecendo desta verdade incontestável.

“A prosperidade não virá por inventarmos mais e mais programas generosos de gastos públicos, você não enriquece por pedir outro talão de cheques ao banco. E nenhuma nação se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar. Nós temos o dever de garantir que cada centavo que arrecadamos com tributação seja gasto bem e sabiamente...”

É justamente por este motivo que os programas assistencialistas têm de ter tamanho limitado. E mais, ser de caráter temporário visando estimular a reinserção do assistido ao mercado produtivo. Um país não sobrevive sem produtividade.

Quando há alta arrecadação, nasce uma série de reivindicações populares por atuações específicas do Estado. A alta tributação gera queda na renda disponível, aumentando as reivindicações ao Estado por questões de impossibilidades individuais. Com o tempo, o enforcamento gerado pelas tributações gera queda de riqueza e queda de arrecadação do Estado. Mas não gera, ao mesmo passo, queda por reivindicações populares a este, transformando-se não só um país pobre, como, possivelmente, um Estado altamente endividado para atender as demandas de sua população, tornando-se não apenas insustentável em um primeiro momento, mas por longas décadas!

Um comentário:

  1. Seu texto é brilhante e muito esclarecedor.
    Eu sempre pensei de maneira semelhante, mas não conseguia me expressar de forma simples e ordenada.
    Parabéns

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