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Carta aberta ao cinéfilo Pablo Villaça


Por Victor Guimarães

Senhor Pablo Villaça,

Seguindo a premissa de que devemos respeitar os mais velhos, venho por meio desta refutar cada argumento seu, todos rasos vale ressaltar, dado em um último suspiro na tentativa de defender este desgoverno.


Em primeiro lugar, gostaria de dar uma pequena aula sobre os pré-requisitos para a abertura do processo de impedimento, retirados da Lei do Impeachment 1079/70

Art. 14. É permitido a qualquer cidadão denunciar o Presidente da República ou Ministro de Estado, por crime de responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados.

Art. 15. A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo.

Art. 16. A denúncia assinada pelo denunciante e com a firma reconhecida, deve ser acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da declaração de impossibilidade de apresentá-los, com a indicação do local onde possam ser encontrados, nos crimes de que haja prova testemunhal, a denúncia deverá conter o rol das testemunhas, em número de cinco no mínimo.

Art. 17. No processo de crime de responsabilidade, servirá de escrivão um funcionário da Secretaria da Câmara dos Deputados, ou do Senado, conforme se achar o mesmo em uma ou outra casa do Congresso Nacional.

Art. 18. As testemunhas arroladas no processo deverão comparecer para prestar o seu depoimento, e a Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado por ordem de quem serão notificadas, tomará as providências legais que se tornarem necessárias legais que se tornarem necessárias para compelí-las a obediência.

Como você pôde perceber (basta saber ler, ok? Qualquer coisa pede para seu responsável ler para você.), em nenhum momento existe o pré-requisito:

"O mantenedor do cargo máximo da Câmara de Deputados Federais, deve ter uma vida ilibada sem qualquer tipo de acusação sobre o mesmo."

Se você quiser que exista essa necessidade, lute por uma nova constituição.

Em segundo lugar, permita-me lhe dar uma pequena aula de português.

Acusação

substantivo feminino

  1. ação ou efeito de acusar; acusamento. julgamento moral desfavorável; censura, repreensão. fig ato ou efeito de levar ao conhecimento de; indicação, mostra, realce. caracterização por meio de palavra, expressão etc.; qualificação. comunicação, notificação de (recebimento de carta, ofício etc.).

  2. jur atividade que o Ministério Público ou o advogado da parte ofendida realiza para demonstrar a procedência da denúncia ou da queixa.

  3. jur órgão que desempenha essa atividade.

  4. jur apresentação escrita ou oral das faltas do acusado.

Como você pode ler e aprender (e mais uma vez sugiro a ajuda do seu responsável) o que é acusação, coloco aqui as acusações feitas à figura da presidente da república:

1) Atos contra a probidade na administração;

- não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição; - proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.

2) Atos contra a lei orçamentária;

- ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição legal;

- deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite, condição ou montante estabelecido em lei;

- deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício financeiro;

- ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente.

3) Atos contra o cumprimento das leis e das decisões judiciais;

4) Crime contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos; 

- contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices, ou efetuar operação de crédito sem autorização legal Prosseguindo com a elucidação, espero ter ajudado você a crescer um pouco, agregando agora conhecimentos sobre interpretação, português e algumas fáceis situações políticas.

Em terceiro lugar, e aqui já com dor no coração, vejo que sua argumentação além de fraca, se baseia quase que completamente em falácias.

A primeira delas já no início, um belo e moral Tu quoque (a falácia do "Você também").
Não é porque um faz errado que outros possam fazer e o errado passa a ser o certo (isso só acontece em imaginação e lógica esquerdista). 

A segunda, logo no segundo parágrafo, a falácia do espantalho, para desvirtuar possíveis argumentações a respeito do verdadeiro impeachment.
Não, a característica moral da pessoa não é medida por causa de uma defesa a um acontecimento ou outro.
E mesmo que isso pareça fortalecer seu argumento, isso não passa de um suporte frágil e areado.

A terceira, presente em quase todos os parágrafos, "Ad Hominem", onde você tenta fazer com que golpes pessoais e ataques ao caráter de um determinado grupo se tornem um argumento.
Um exemplo, ninguém é mais ou menos canalha porque apoia a abertura do impeachment, porque apoiou a legalização do casamento gay, ou porque se indignou com as mortes na França.
Na verdade ninguém deixa de ser canalha porque coloca o dedo em riste contra um governante.

A quarta está no sexto parágrafo, a falácia do verdadeiro escocês, onde você tenta apelar para a pureza da ideologia da esquerda, afirmando que o Governo abandonou a verdadeira esquerda e agora está junto a "neo" direita.

Sinto dizer mas isso é só mais uma falácia, o governo continua de esquerda.

Existem algumas outras mas acredito que já seja o suficiente para mostrar o quão raso estão seus argumentos, todos baseados em falácias e pior, das mais comuns e fáceis de se identificar. 

Por último,  gostaria de falar só uma coisa:
Por favor, pare com esse papo neurótico de neo isso, neo aquilo.

Não existe isso de neoliberalismo do modo como você indica existir.
Quem cunhou (não aguentei o trocadilho) esse termo foi Alexander Rüstow, como forma de reapresentar as idéias associadas ao liberalismo econômico laissez-faire das décadas de 70 e 80, defendendo uma extensa liberalização econômica, livre comércio e a redução da despesa pública como forma de reforçar o papel do setor privado na economia.

Ou seja, um dos pais do Ordoliberalismo, criou o termo neoliberalismo e não foi de forma pejorativa.

No mais, espero que tenha sido esclarecedor para você e seus seguidores entenderem de vez a profundidade dos seus suportes argumentativos e ideológicos.

Parafraseando o velho Friedman, A sociedade que coloca a igualdade à frente da liberdade irá terminar sem igualdade e liberdade.

Att,

Um ex-socialista e agora esclarecidamente liberal clássico.

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