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A importância da educação econômica para a propagação do liberalismo

Por Guilherme Resende

O socialismo, nos dias de hoje, cada vez mais vem perdendo espaço para outras correntes de pensamento, principalmente a corrente liberal. Uma das principais razões disso é a propagação das ideias liberais por meio do conhecimento de economia, como aquela ensinada na Escola Austríaca ou na Escola de Chicago, entre outras correntes de pensamento econômico. Essa propagação de ideias é ampliada, hoje, pela disponibilização desses materiais na internet.

Há várias organizações no mundo com o objetivo de disseminar as ideias liberais com o foco no aprendizado de economia. A organização pioneira nesse ensino leva um nome que já diz tudo: Foundation for Economic Education - e foi fundada em 1946, por Leonard Read. Depois dela, várias organizações foram criadas, como o Institute of Economic Affairs (1955), o Institute for Human Studies (1961), o Cato Institute (1974), o Ludwig von Mises Institute (1986), etc.

No Brasil, uma das primeiras organizações na propagação das ideias liberais foi o Instituto Liberal, fundado em 1983 por Donald Stewart Jr. Depois dele, vieram organizações como o Instituto Millenium e o Instituto Mises Brasil.

O leitor pode se perguntar: Com tantas organizações cujo objetivo é propagar ideias que defendem menos estado na vida das pessoas, por que essas ideias não costumam ser aplicadas na prática? A verdade é que, desde o final do século XIX, as ideias predominantes passaram a se tornar cada vez mais ideias paternalistas e socialistas. O liberalismo clássico se estabeleceu no século XVIII como principal ideologia, porém os discursos socialistas e estatistas, bastante emotivos e convincentes para os leigos, passaram cada vez mais a ganhar espaço.

O socialismo prega uma ideia de união das pessoas sobre uma causa comum e uma prosperidade utópica, que encanta muita gente despreparada. O marxismo se transveste num véu intelectual que, para os leigos, dá ares de racionalidade e ciência. Sua concepção econômica é baseada naquela dos economistas clássicos; sua filosofia é baseada no idealismo alemão e no materialismo de Feuerbach. Porém, hoje, a maioria dessas ideias mal são consideradas seriamente por aqueles mais estudados: Marx se aproveitou do erro dos economistas clássicos, o valor-trabalho; também de uma visão historicista hegeliana pseudo-científica. Por essas e outras, cada vez mais é necessário um conhecimento adequado para se livrar da influência desse tipo de ideologia.

E não é só o socialismo marxista o problema. O socialismo democrático, a social-democracia (não moderada), o trabalhismo, entre outras ideologias, também são grandes problemas. A consolidação dessas ideias como predominantes foi acontecer na Crise de 1929 e no New Deal: da qual o capitalismo laissez-faire levou a culpa, e no qual o estado passou a ser considerado como o "grande salvador da nação". Além de tudo, esses fatos aconteceram no maior centro econômico e em um dos maiores centros culturais do mundo: os EUA.

No Brasil, nessa mesma época, o varguismo agradava bastante às massas. O brasileiro, de forma quase definitiva, passou a ter uma mentalidade que, para praticamente tudo a que se propõe, deseja que o estado resolva.

Principalmente em razão dessas mudanças culturais, no pós-guerra predominou a concepção de “estado de bem-estar social”, uma aplicação política dessa nova mentalidade. Nessa época, a cultura já estava praticamente dominada por pensamentos de esquerda, de viés marxista ou não. Mas, veja: a maioria do que causou o aumento do estado no mundo desde o começo do século XX se deu por falta de conhecimento econômico. Até mesmo do conhecimento básico: diz-se, hoje, de um “consenso liberal” na academia: protecionismo é considerado como algo que apenas empobrece o país em cuja política é aplicada; salário mínimo é visto como algo que apenas causa desemprego, etc.

Acredito que ainda falta muito para o mainstream chegar a uma concepção econômica ideal como da Escola Austríaca ou da Escola de Chicago, mas, considerado-se em relação ao status quo político, a academia é bastante liberal.

O conhecimento econômico ainda não chegou ao “povão”. Porém, nos anos 80, dava-se a impressão de que existiria uma grande mudança rumo a mais liberdade. Até houve... mas foi pequena. A retórica de políticos como Reagan e Tatcher certamente influenciou muitos pessoas a se aderirem ao liberalismo. Milton Friedman, economista norte-americano, também passava a mensagem liberal de forma muito fácil de se entender; e não são poucas pessoas nos EUA que dizem que se tornaram liberais em razão dele.

Entretanto, existiam poucas pessoas encarregadas da transmissão dessas mensagens. Dessa forma, a ideologia consolidada (estatismo) logo logo ganhou força novamente, até começar a ser quebrada nos dias de hoje, com a propagação crescente dos think-thanks liberais. No Brasil, cada vez mais pessoas leem o Instituto Mises Brasil ou o Instituto Liberal. As últimas manifestações trouxeram muita gente com cartaz "Menos Marx, Mais Mises" às ruas. Nos EUA, a campanha de Ron Paul - político que possui a retórica como arma fundamental - conquistou vários adeptos ao liberalismo clássico e ao libertarianismo.

Mais think-thanks são necessários. Mas é importante reconhecer que a linguagem simples também é necessária. A causa socialista ganha muitos adeptos em razão da propagação da informação de forma simples. Para tudo é "o estado cuidará; o estado resolverá". Para a causa liberal, é preciso mostrar que "não existe almoço grátis" - mostrando assim que tudo que o estado gasta tem como fonte o dinheiro da população. É preciso mostrar que as pessoas, agindo em busca do interesse próprio, no capitalismo, na maioria das vezes provocam o bem-estar da sociedade, como o velho Adam Smith dizia. Essas ideias simples devem ser assimiladas pelas massas.

Em razão disso é tão importante a educação econômica para a causa liberal. Fatos, muitas vezes simples, são ignorados pela inteligentsia de esquerda e pelas massas que a seguem. Porém, logo quando esses fatos se tornarem senso comum, o liberalismo tenderá a predominar no plano das ideias. E, na prática, as ideias são grandes mecanismos de mudança.

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