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Evolucionismo e Ordem Espontânea – tradições escolástica, britânica e austríaca contra o planejamento central (Parte 1)

Por Guilherme Resende
Socialismo e Positivismo - doutrinas opostas à ordem espontânea
O socialismo, doutrina que se tornou mais popular no século XIX e XX, procura estabelecer uma coletivização da propriedade, sob o controle do estado, que decidiria a melhor forma de planejar o sistema econômico.

Existiria uma administração "científica" da economia, que substituiria o "caos anárquico" do livre mercado, baseado no sistema de propriedade privada.

Muitas pessoas aderem a essas ideias porque olham o mundo à sua volta e veem ações que parecem totalmente aleatórias, e que fogem totalmente de seus entendimentos.

Baseadas na falta de entendimento delas mesmas sobre o mundo, essas pessoas pensam que, caso alguém planejasse aquilo tudo (sob preceitos racionais), o mundo seria um lugar mais tranquilo e feliz, e os recursos da economia melhor distribuídos.

Não à toa esse pensamento cresceu nos séculos em que a ciência e a técnica progrediam exponencialmente. Sem dúvida, a ciência e a técnica são frutos da racionalidade do homem deliberadamente usada para alcançar um certo objetivo. Porém, em outras áreas, como a economia, essa racionalidade usada deliberadamente não existe. O que mais existe são as pessoas buscando ganhar dinheiro, não importando necessariamente com o fim a que acabam chegando com isso.

Assim, muitos acham que a racionalidade técnica, desenvolvida para atender às tecnologias desenvolvidas a partir das ciências naturais, deve existir também nas áreas sociais (ou seja, na forma com que os indivíduos se relacionam na sociedade). Esse anseio positivista só poderia ser alcançado com um estado todo poderoso, em que uma "pessoa toda poderosa” assumiria o poder e resolveria todos os problemas da sociedade.

Porém, esse pensamento decorre de uma falta de entendimento de como funciona o mercado e a economia em si. As ações que as pessoas tomam, apesar de parecerem aleatórias – e de quase sempre não buscarem os resultados a que chegam – têm uma ordem à qual só se pode chegar caso as deixarmos livres.

Superioridade do Livre Mercado


A superioridade do sistema de livre mercado deve ser entendida para que as pessoas não caiam nessa “pretensão fatal”, como dizia Hayek, de achar que o sistema econômico pode ser planejado por um indivíduo dando ordens de cima para baixo.

Adam Smith já dizia que os indivíduos, guiados pelo seus próprios interesses, acabam fazendo com que a sociedade seja mais próspera. Isso acontece no sistema de livre mercado, em que a propriedade privada é bem estabelecida, e os indivíduos não precisam de violá-la para conseguir o que querem, mas sim devem convencer os outros a lhes dar o que desejam.

O sistema de livre mercado é uma ordem espontânea, em que se aproveitam os interesses pessoais dos indivíduos para que a sociedade melhore.

Friedrich Hayek foi um dos mais notáveis pensadores nesse assunto, sintetizando as várias ideias vindas antes dele. A falta de entendimento dessa "ordem da partir do caos", segundo ele, é uma das principais razões porque as pessoas abraçam teorias como a do socialismo.

Para ele, na economia de mercado, o sistema de preços é o resultado desse sistema, criado nas relações naturais entre os indivíduos, e serve, ainda, como um meio de transmitir informações para guiar os indivíduos na alocação de recursos. O socialismo, por suprimir esse mecanismo, suprime a principal forma como a sociedade se organiza para gerar riqueza. Apenas um planejador central, com o conhecimento das demandas e situações da economia inteira, seria capaz de substituir esse sistema.

Porém, segundo Hayek, o conhecimento se encontra disperso na sociedade, e não "já dado" e centralizado. Mesmo que o planejador se esforce para obter esse conhecimento, o que ele irá adquirir não chega nem perto do conhecimento na mente de cada indivíduo, usado por eles quando o sistema é descentralizado. Apenas com o sistema de livre mercado, pelo qual os indivíduos constroem os preços através de seus conhecimentos individuais, é possível que a sociedade sobreviva a longo prazo.

Principais Nomes e outras "ordens espontâneas"

Adam Ferguson (1723-1816)

Os principais pensadores que enfatizavam essas ideias eram os filósofos escolásticos espanhóis e os iluministas escoceses, entre outros, como: Luis de Molina, Domingo de Soto, Diego de Covarrubias (escolásticos tardios), David Hume, Adam Smith, Adam Ferguson (iluministas britânicos), Edmund Burke, Matthew Hale, Josiah Tucker, Bastiat, Gustave de Molinari, Herbert Spencer, Joseph Schumpter, Carl Menger e Friedrich Hayek. E, segundo eles, a ordem espontânea não existia apenas no mercado, mas também nas tradições – na lei, na cultura, na instituição da propriedade privada. Esta última, por sua vez, existia não por ser algo “natural” – um “direito natural”, na forma em que pensadores como John Locke diziam - mas sim por ser o melhor meio de a sociedade prosperar. Elas surgem de forma muito parecida como Darwin teorizou em seu A Origem das Espécies: as instituições que servem para bem da sociedade tendem a ser predominantes e existir por grande quantidade de tempo, enquanto aquelas que não servem a esse propósito tendem a desaparecer.


Segundo Hayek, esse processo de evolução não é nem natural e nem totalmente racional. Não é natural porque a evolução não diz respeito à biologia, mas sim à predominância cultural, que muda de forma muito mais rápida que a biológica; não é racional porque as instituições não foram deliberadamente criadas, como muitos socialistas ou positivistas procuram criar e impor na sociedade de cima para baixo. 

Relação com Darwinismo e Conservadorismo

Alguns dizem que o próprio Darwin se inspirou muito nas ideias de evolução na sociedade pregadas por esses pensadores, apesar de outros acharem que ocorreu o contrário, ou seja, essas ideias terem sido usadas para se explicar a sociedade depois da teoria de Darwin. Muitos associam as ideias de evolução social a pensadores “darwinistas sociais”, que muitas vezes acreditavam em coisas que não possuíam relação nenhuma com as de ordem espontânea anteriormente citadas, como ideias de superioridade racial e cultural. Essas, por sua vez, datam de filósofos, em sua maioria positivistas, dos séculos XIX e XX, como Augusto Comte, os quais, ironicamente, são os que costumam pregar um estado grande para planejar a sociedade.


Herbert Spencer é um dos pensadores que aderiram à ideia de ordem espontânea, sendo erroneamente chamado por muitos de “darwinista social”. Ele não pregava a superioridade de nenhuma raça - ou qualquer algo desse tipo - mas sim ideias muito parecidas com aquelas dos escolásticos tardios e iluministas escoceses supracitadas, que na prática não levam a pensamentos racistas e eugenistas. 

Essa tradição toda também pode ser associada ao conservadorismo britânico, de autores como Edmund Burke, que teorizavam a respeito da tradição e das instituições que afloram espontaneamente na sociedade.

Continuação



Sobre esse assunto, há uma extensa quantidade de coisas sobre as quais podemos falar. Em outros artigos tentarei me aprofundar mais no tema. Abaixo há uma bibliografia sugerida para que se possa aprofundar no tema. A maioria dessas obras foram traduzidas para português e estão disponíveis em .pdf na internet. 


Bibliografia sugerida:


The Use of Knowledge in Society - Friedrich Hayek (em português: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1665)
Enquiry Concerning the Principles of Morals - David Hume
Treatise of Human Nature - David Hume
The Fable of the Bees: or, Private Vices, Public Benefits - Bernard de Mendeville
An Essay on the History of Civil Society - Adam Ferguson
The Theory of Moral Sentiments - Adam Smith 
Wealth of Nations - Adam Smith
Reflections on Hobbes' system - Matthew Hale
Law, Legislation and Liberty - Friedrich Hayek
Individualism and Economic Order - Friedrich Hayek
Money - Carl Menger


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