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Rousseau, França e os atentados


Por Guilherme Resende

A Revolução Francesa foi influenciada por um dos maiores pensadores anti-iluministas da história: Rousseau (ao contrário do que muitos imaginam). Ela não serve de base como projeto "fruto do iluminismo".

Se quisermos entender as revoluções que foram realmente fruto do iluminismo, olhemos para as Revoluções Americana e Inglesa.

O iluminismo, desde o começo, prezou pelo progresso da humanidade, e desde o começo os pensadores perceberam que esse progresso se dava através do liberalismo clássico. Rousseau, em seu Discurso sobre a Ciência e as Artes, culpa o progresso, o avanço da técnica e da tecnologia e o uso da razão, pelos males da humanidade [1].

Liberdade, para ele, seria o que Benjamin Constant classificaria como "liberdade dos antigos", ou seja, liberdade de participar da máquina do estado e dirigi-la, mesmo que o estado interfira enormemente na vida dos outros. Já o liberalismo clássico preza pela "liberdade moderna", ou seja, liberdade de não ser interferido pelo estado [2].

A França sempre foi palco de experiências sociais construtivistas e racionalistas. Os franceses possuem uma história de querer que o estado transforme a sociedade a partir do zero, e intervenha nela para arrumar todas as coisas ruins que existem, sem entender que ele também é falível. Essas experiências sempre desembocam em totalitarismo.

Já países como a Inglaterra prezam pela tradição da ordem espontânea e compartilham de uma ética de "não ser interferido pelo estado". Esse é o real espírito do liberalismo clássico [3].

O atentado que matou em torno de 130 pessoas [4] ocorreu na França principalmente porque este é um país com frágil, com pouca segurança, e que confia apenas no estado - apesar de esse lá ser ineficiente nessa questão - para proteger os cidadãos. Se as pessoas estivessem armadas naquela situação, a chance de acontecer o atentado seria bem menor. No atentado ao jornal Charlie Hebdo, por exemplo, a polícia até estava no momento, mas estava desarmada [5] - em razão da cultura “pacifista” da França, herdada de pensadores como o próprio Rousseau.

Se a população francesa estivesse segura, com direito de portar armas para se defender, nesse caso poder-se-ia pensar em absorver esses imigrantes vindos do Oriente Médio. Se o welfare state não fosse tão presente na França e as instituições desse país fossem sólidas - o que, hoje, não é - na minha opinião não haveria problemas em recebê-los. Mas, do jeito que a França está, e com a vinda massiva de imigrantes que estava acontecendo, não me parece algo bom continuar naquela situação. A decisão do presidente francês de fechar as fronteiras foi correta.

O ensinamento de Popper se encaixa quase como uma luva nessa situação atual da França (e também de vários países do mundo):


Notas:

1 - "O primeiro grande ataque frontal contra o Iluminismo foi realizado por Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Rousseau possui uma merecida reputação de ser um bad boy da filosofia francesa do século XVIII. No contexto da cultura intelectual do Iluminismo, Rousseau foi uma importante voz discordante. Ele era um admirador de todas as coisas espartanas – a Esparta do comunalismo militarista e feudal, e sentia desprezo por todas as coisas atenienses – a Atenas clássica do comércio, do cosmopolitismo e das belas artes." 

2 - "Basicamente, Constant diz que a diferença das concepções de liberdade dos antigos e dos modernos é:

a) a liberdade dos primeiros era no sentido de controlar o aparelho político-militar do estado para ter participação nele, impondo suas decisões sobre a sociedade. Quanto mais controle desse aparelho do estado, mais liberdade você tem. E não importa o quanto você é reprimido pelas leis dos outros que também controlam fortemente esse aparato, você não se importa em obedecer leis ruins, desde que você tenha grande controle da elaboração e execução delas.

b) a liberdade dos modernos (i.e, Idade Moderna até a época atual) consiste, predominantemente, em ter a liberdade de não ser reprimido pelo mecanismo do estado. Consiste em ter liberdade de expressão, liberdade de associação, ter direito à propriedade privada, não ser submetido a leis injustas, etc."


3 - "Antes de explicar o que seria o individualismo genuíno, seria útil fornecer algumas indicações da tradição intelectual à qual ele pertence. O individualismo genuíno começou a ser desenvolvido ainda no século XVII por John Locke. Posteriormente, no século XVIII, Bernard Mandeville e David Hume ampliaram o pensamento, o qual alcançou uma envergadura completa pela primeira vez com as obras de Josiah Tucker, Adam Ferguson, Adam Smith (...) Esta segunda e completamente distinta linha de pensamento, também conhecida como individualismo, é representada predominantemente por escritores franceses e por outros pensadores do continente europeu — um fato que, creio eu, se deve ao papel dominante que o racionalismo cartesiano tem em sua composição. Os principais representantes dessa tradição foram os enciclopedistas, Rousseau e os fisiocratas. E, devido a alguns motivos que iremos aqui analisar, este individualismo racionalista sempre tende a se degenerar e a se transformar no exato oposto do próprio conceito de individualismo: isto é, descamba para o socialismo e o coletivismo." 




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