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Por que colocar o liberalismo clássico como direita? Parte 3: contexto histórico

Uma das ilustrações feitas no que restou do Muro de Berlim
Por Wilson Oliveira

Surgido no século XVII com o filósofo John Locke, podemos dizer que o "contratualismo" é a teoria embrionária do que pode ser entendido como "Liberalismo Clássico". No século XVIII, com Adam Smith, o "Liberalismo Clássico" ganhou forma através da publicação de "A Riqueza das Nações", que trouxe o entendimento econômico dessa ideologia.

Neste artigo, um diagnóstico feito pelo próprio autor oferece uma visão para posicionar o "Liberalismo Clássico" como direita em consequência dessas disputas que mexeram com todo o planeta.

História do Liberalismo Clássico

Contratualismo designa a ideia de uma nação organizada por um "contrato social". Isso significa que os cidadãos deixam de usufruir de uma liberdade plena para concederem autoridade a um governo com o propósito de ser estabelecido um conjunto de regras de ordem política.


Os homens formam uma sociedade principalmente para preservar a sua propriedade, pois, caso todos vivessem em "estado de natureza", não haveria uma organização superior com autoridade para lhe salvaguardar o direito de posse. A principal ferramenta para se chegar a esse fim é a eleição de um poder legislativo, responsável pela formulação das leis que estabelecem o formato desse e de outros direitos que se desenvolvem com o passar dos tempos. Esse assunto é tratado por John Locke no livro "O Segundo Tratado Sobre o Governo Civil" (1689).

Um dos direitos que se desenvolveram conforme se espalhava e se adotava pelo mundo o conceito de governo é o da limitação deste poder, bem como a moderação e cada parte ou membro do mesmo. Pois um governo sem limite é um governo totalitário, o que significa cidadãos que obtiveram sua liberdade derrubada.

A forma mais eficaz para um governo tomar a liberdade dos seus governados é no campo econômico, o que abre espaço para que a liberdade também seja derrubada na cultura e no ensino. Adam Smith tratou especificamente sobre esse assunto na sua principal obra, "A Riqueza das Nações" (1776). A ideia central retratada no livro é a de que a riqueza, de fato, é obtida graças a divisão do trabalho feita pelos cidadãos, e que quanto mais o governo intervém nesta, menos os cidadãos poderão se auto organizar a fim de prosperarem individualmente, caminho único para tornar uma nação, de fato, rica.

Disputas comerciais e territoriais levaram nações à duas grandes guerras

Embora a história tenha reservado um capítulo bastante recheado de conflitos, o que é mais relevante para essa abordagem são as Grandes Guerras Mundiais, que antecederam a mais importante para este tema: a Guerra Fria. A Primeira Guerra Mundial deflagrou-se no ano de 1914 e se estendeu até o ano de 1918. Duas grandes alianças, que foram formadas anos antes, se enfrentaram nos campos de batalha. A Tríplice Aliança (1882) reuniu Itália (que depois virou a casaca), Império Austro-Húngaro e Alemanha. A Tríplice Entente (1907) envolveu a França, a Rússia e o Reino Unido. E mais tarde ganharam o reforço dos Estados Unidos.

A chegada dos americanos ao confronto foi decisivo para a vitória da Tríplice Entente, que obrigou os derrotados a assinarem o Tratado de Versalhes, que lhes impunha punições e uma série de restrições. Principal afetada com essas condições da derrota, a Alemanha jamais engoliu o revés sofrido na Primeira Guerra, o que teve influência total para o acontecimento da Segunda Guerra, que foi de 1939 até 1945.

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Com o Nazismo na Alemanha e o Fascismo na Itália, os dois países se unirem com o Japão e formaram o Eixo. Essa composição chegou a conquistar importantes vitórias nos primeiros anos de conflito, mas depois acabaram sofrendo derrotados irreversíveis da Aliança, formada por França, Inglaterra, Estados Unidos e URSS.

Guerra Fria coloca capitalismo e socialismo em choque

Vitoriosos lado a lado na Segunda Guerra, americanos e soviéticos passaram a travar uma disputa com o objetivo de conquistar a hegemonia política do mundo. Os Estados Unidos representavam um modelo capitalista, conectado economicamente com o que era defendido pelos teóricos liberais séculos antes. A URSS ofertava um modelo completamente oposto: o socialismo. Mas além disso, com um governo ditatorial, os bolcheviques também sufocavam qualquer espécie de liberdade social e política dos seus governados. Representando outra oposição ao que foi disseminado por liberais ao longo dos anos.

Ao contrário das duas grandes guerras anteriores, a Guerra Fria não chegou a ter disputas bélicas, apesar da corrida armamentista das duas potências. Mas a queda de braço foi muito forte em outras áreas. Os americanos lideraram uma forte política de combate ao comunismo através do cinema, da televisão, dos jornais, das propagandas e até mesmo das histórias em quadrinhos, tudo no sentido de valorizar o "American way of life".

Desde então, modelos políticos voltados para uma economia capitalista com ênfase no mercado, a exemplo do que foi defendido pelos Estados Unidos na Guerra Fria, passaram a representar o lado direito do espectro político. Enquanto o socialismo, modelo derrotado com a queda do Muro de Berlim, passou a referenciar políticas voltadas para o Estado como centralizador da economia, que se posicionaram mais à esquerda do espectro político.

Numa simples divisão entre esquerda e direita, não restam dúvidas a este que vos escreve que o liberalismo clássico está posicionado à direita, uma vez que tudo aquilo que foi defendido por liberais no século XVII e XVIII foi representado pelo lado capitalista da Guerra Fria. Entretanto, este conflito não existe mais, e outros entendimentos ideológicos foram disseminados. Justamente no campo da direita há algumas ramificações, como os conservadores e os anarco-capitalistas, ambos com espaço para posicionamentos mais à direita do que é defendido pelo liberalismo clássico, fazendo esta ideologia, na concepção deste autor, ser posicionada na posição de direita.

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