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Por que colocar o liberalismo clássico como direita? Parte 2: campo social

Ayn Rand foi uma escritora e filosofa norte-americana que tratou de vários temas sob o ângulo do individualismo, dentre os quais a inserção feminina e seu papel na sociedade 

Por Wilson Oliveira

O segundo artigo dessa série sobre o Liberalismo Clássico como direita, na visão deste que vos escreve, estava programado para ser postado no domingo passado, dia 15. No entanto, por conta dos acontecimentos em Paris, achei por bem deixá-lo para hoje, dia 22. Sendo assim, o terceiro artigo, que trata do contexto histórico, será publicado no próximo domingo, dia 29 de novembro. Não perca!

Existe uma corrente de considerável tamanho que defende o Liberalismo Clássico num posicionamento puramente de centro por defender as liberdades individuais, supostamente como a esquerda. Este autor que lhe escreve não tem a pretensão de se achar o dono da verdade nem mais conhecedor que ninguém. Portanto, o que vem a seguir é apenas a demonstração de uma visão que tem como objetivo contribuir para o debate, que é deveras importante para o O Congressista.

No dia 8 de novembro foi postado um artigo explicando o motivo pelo qual pode-se considerar o Liberalismo Clássico como de direita na esfera econômica. Mas há outro ponto fundamental a ser verificado: a defesa pela liberdade social, porém com uma visão voltada para o indivíduo, diferentemente do que acontece em grupos que se consideram minoritários, como os que defendem causas de gênero, de sexo e de raça.

Martin Luther King Jr. foi um pastor que lutou
pelo fim do apartheid nos Estados Unidos
Existem duas formas para defendermos que mulheres, gays e negros tenham liberdade: a orgânica e a não-orgânica. Nesse caso, uma pessoa adota uma postura ou outra. O posicionamento puramente de 'centro' seria concordar e/ou discordar dos dois em grau equilibrado, sem se inclinar para um ou para outro.

A orgânica consiste na criação de militâncias (LGBT, feminismo, movimentos em defesa dos negros etc), e é uma agenda mais à esquerda justamente por visar a coletivização dessas causas. E fica aqui um ponto crítico. Essas militâncias eventualmente podem reforçar alguns pontos na defesa de direitos, mas também intensificam conflitos, uma vez que seus militantes se posicionam de modo a enfrentar "a sociedade", prolongando aquilo que deveria ser diminuído, que é justamente a discriminação de grupos.

A defesa desses grupos de forma não-orgânica (que é uma agenda mais à direita) consiste numa defesa das liberdades sem a existência dessas militâncias, pois tem como objetivo que absolutamente todos os indivíduos sejam vistos de forma igual. Não que sejam considerados iguais, pois todos nós temos diferenças, mas que sejam tratados igualmente perante a lei, com direitos mas também com deveres - que principalmente são regras a serem cumpridas. Se a depravação moral num determinado local de comum convívio não vale para homens, também não vale para mulheres; se não vale para héteros, também não vale para gays; se não vale para pessoas de pele clara, também não vale para pessoas de pele escura.

É exatamente por conter essa agenda que se concentra na individualização das pessoas para que o convívio em sociedade seja mais harmônico dentro de regras a serem cumpridas, que o Liberalismo Clássico é colocado nessa posição de direita por este que vos escreve. Não custa lembrar que na interpretação liberal, o INDIVÍDUO (independente do seu credo, da sua cor, do seu gênero ou sexo a ser seguido) é a mais absoluta minoria - e por tabela a que necessita maior atenção. Por ser individual, dispensa a necessidade de militâncias para "lutarem"(?) pela defesa de "grupos minoritários".

Respeito em escala satisfatória é considerar indivíduos que juntos formam uma nação. E tão somente. É dispensável a separação por grupos, pois no final todos deverão responder as mesmas leis e ter os mesmos direitos. Isso significa ignorar que gays, negros e mulheres mereçam respeito, igualdade de tratamento e valorização jurídica? Não!

Isso significa que quando focamos nossa luta no INDIVÍDUO, estamos lutando pelo branco, pelo preto, pelo gay, pelo amarelo, pelo pardo, pelo índio, pelo hétero, pelo trans, pelo assexuado, pela mulher, pelo homem, pela criança, pelo idoso.

Nos estudos sobre liberalismo clássico, é possível perceber que alguns valores são indispensáveis: o entendimento que todos são naturalmente diferentes, mas que mesmo assim merecem um tratamento igual perante a lei. Pois só assim é possível alcançar um nível civilizatório de convivência e respeito mútuo.

Não existe aqui a pretensão em dizer que a esquerda (ou seja, aqueles que visam essas agendas de forma mais coletivista) seja universalmente contra isso. No entanto, é importante afirmar que a forma que eles escolhem para lutar por isso não é exatamente a proposta historicamente apresentada pelo liberalismo clássico.

Portanto, fica a reflexão aos leitores que, ficar exatamente no 'centro' é se afastar um pouco do modelo mais à direita de lutar pelas causas sociais visando a liberdade social do indivíduo, que é a proposta fiel do liberalismo clássico. E também é não se posicionar no modelo mais à esquerda, que olha essa agenda de forma coletivista. No final das contas, o centrista é o sujeito que nesses assuntos acaba ficando sem ter o que dizer ou defender.

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