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Até o comunista Engels reconhece a superioridade do mercado

Por Benjamin Lopes

Não é raro encontrar algum comunista reclamando do mercado e do capitalismo. Mas também não é raro presenciar situações que evidenciam a superioridade do mercado. E entendendo o comunismo em sua parte socialista, até mesmo os esquerdistas reconhecem - historicamente - a superioridade do capitalismo de mercado.


Em Princípios Básicos do Comunismo, Friedrich Engels (que foi coautor do Manifesto Comunista juntamente com Karl Marx) reconhece a realidade sobre a produção cada vez mais especializada e focada em atender os clientes. Leia:

"Esta revolução industrial foi ocasionada pela invenção da máquina a vapor, das várias máquinas de fiar, do tear mecânico e de toda uma série de outros aparelhos mecânicos. Estas máquinas, que eram muito caras e, portanto, só podiam ser adquiridas pelos grandes capitalistas, transformaram todo o modo de produção anterior e suplantaram os antigos operários, na medida em que as máquinas forneciam mercadorias mais baratas e melhores do que as que os operários podiam produzir com as suas rodas de fiar e teares imperfeitos." (Friedrich Engels).

É certo que ele estava criticando a Revolução Industrial, mas ao criticá-la registrou a realidade anterior e atual: o empresário, objetivando o lucro, entrega produtos melhores e mais baratos para os clientes. Isto é, quanto mais a tecnologia evoluí e quanto mais o capitalista deseja lucrar, mais barato tende a ser o produto e melhor é o resultado.

O preço cada vez mais barato permite aos mais pobres o acesso à riqueza. Talvez seja esta a grande birra dos esquerdistas contra o consumismo, uma vez que a compra de muitos bens apenas prova a superioridade da iniciativa privada quando o assunto é atender os mais pobres, proporcionar qualidade de vida e satisfação material. A ausência da possibilidade de consumo, até mesmo em excesso, demonstra uma situação de pobreza indesejável ou capacidade produtiva insuficiente para atender a população.

Uma das criticas colocadas por F. Engels é o fato dos operários não serem mais donos dos próprios meios de produção e agora trabalharem para o dono de alguma indústria. E isto também é uma critica de vários comunistas, mas basta analisar o próprio interesse no trabalho e na remuneração dos proletários. Caso, realmente, não fosse mais confortável trabalhar nesta forma, por que então os proletários surgiram? 

O desenvolvimento dos chamados proletários serve como mais uma prova de que deixar de ser dono dos meios de produção pode ser mais confortável do que tê-los. Afinal, é melhor trabalhar para o capitalista, tendo acesso ao conforto oferecido pelo novo sistema, do que resistir ao novo sistema em nome duma situação menos confortável - tão somente por orgulho ou sentimentalismo.

O conforto entregue aos proletários (os trabalhadores sem meios de produção que vendem a força de trabalho) é inegável. Afinal, não faz sentido produzir algo afim de lucro financeiro sem ter mercado consumidor, e os consumidores são os mesmos assalariados. Isto é, a produção melhorada que resulta em bens mais acessíveis, beneficia os próprios funcionários das indústrias; são os próprios trabalhadores que compram.

O lápis


A complexidade da produção do lápis é também a demonstração do quanto a produção especializada é benéfica para a humanidade. Isto é, do quanto o mercado possibilita aos mais pobres acesso a riqueza; diminuindo a pobreza e aumentando a qualidade de vida progressivamente.

Caso cada lápis fosse produzido artesanalmente, sem a existência do proletariado, isto é, com os trabalhadores sendo donos dos próprios meios de produção, quanto custaria o mesmo? Esta resposta atualmente é extremamente difícil de calcular, porém, certamente, ele custaria mais caro devido a baixa escala possível sem a produção especializada e industrial.

No entanto, podemos comparar dois objetos que existem hoje sendo produzidos de ambas as formas: um vaso para plantas artesanal (sem proletariado na relação de produção); e o industrializado (com proletariado na produção). O vaso industrializado mais barato encontrado no Google Shopping, em 19 de Outubro de 2015, às 23 horas de Brasília, custa cerca de R$ 6,00; e o vaso artesanal mais barato, na mesma data e horário, custa R$ 13,00 (pelo menos o dobro). E isto é apenas o começo. O preço provavelmente seria ainda mais alto tratando-se de um cenário sem nenhuma demanda atendida industrialmente.

Caso a demanda fosse totalmente atendida artesanalmente, o produto seria extremamente mais escasso, sendo assim, extremamente mais caro. Ele ainda é considerado barato, porque grande parte da demanda é atendida industrialmente, o que proporciona uma escassez tranquila para o mercado artesanal corresponder.

O fordismo e os pobres


O fordismo permitiu que cada vez mais pobres pudessem comprar o próprio carro e ainda permitiu o aumento da remuneração dos operários. Isto parece bom, principalmente se você considerar que antes as pessoas usavam carroças e ganhavam ainda menos. Mas para Engels a melhoria da vida dos pobres pareceria algo horrível. Leia:

"O trabalho foi cada vez mais dividido entre cada um dos operários, de tal modo que o operário que anteriormente fizera toda uma peça de trabalho agora passou a fazer apenas uma parte dessa peça. Esta divisão do trabalho tornou possível que os produtos fossem fornecidos mais depressa e, portanto, mais baratos."
(Friedrich Engels)

Para nós, esta frase pode ser confundida com um elogio ao sistema de produção em escala, mas trata-se duma critica de Engels. A coerência parece desaparecer, porque novamente a condição positiva para os mais pobres é criticada por um nome clássico e importante do comunismo. Logo do comunismo, a ideologia que diz preocupar-se com os pobres.

Talvez algum comunista diga que a preocupação maior é com o proletariado e não com os pobres puramente. Neste caso, então, qualquer valor de tal ideologia é extremamente fútil, porque os proletários vivem no capitalismo melhor do que qualquer funcionário ou pobre viveu em sistemas anteriores.

Hoje, por mais difícil que possa ser, um pobre adquire o próprio carro e consegue empreender e erguer-se financeiramente. É o caso do brasileiro Antonio Carlos, ex-catador de lixo, hoje empresário. Como esta ascensão ocorreria em regimes ditatoriais ou feudalistas? Ela não ocorreria, como ainda não acontece em Cuba, por exemplo.

Além do acesso a riqueza, os trabalhadores sem meio de produção têm acesso a liberdade. A liberdade e a riqueza podem ser limitadas graças ao intervencionismo do governo e as dificuldades ambientais, mas certamente ambas importâncias ainda sim existem quando as trocas voluntárias estão presentes.

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