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Liberalismo na Antiguidade - Lao Tsé e Aristóteles


Por Guilherme Resende

Apesar de o termo “liberalismo” ter surgido primeiramente no século XVIII, há uma vasta quantidade de pensadores anteriores a esse período que podem ser enquadrados como “liberais”. Da antiguidade, listamos dois pensadores que contribuíram para o liberalismo: um, representante do Oriente - Lao-Tsé; e outro, representante do Ocidente - Aristóteles.



Lato-Tsé foi um filósofo e poeta chinês. A ele é reputada a autoria do livro Tao Te Ching e a fundação do taoísmo. Embora seja uma figura lendária, uns autores datam o tempo em que ele viveu por volta dos séculos 4, 5 ou 6 a.c, não havendo consenso.


Ele dizia que o legislador não deveria intervir demais na sociedade. Ao invés disso, as pessoas deveriam ser deixadas o máximo possível para seus próprios planos. Ele não dizia isso simplesmente porque achava que as pessoas mereciam liberdade. Mas sim porque, segundo ele, a intervenção é contra produtiva. Quando intervimos na ordem natural das coisas, produzimos efeitos ruins inesperados.

Sobre o governo, ele escreveu: “Aquele que intervém, se intrometendo em tudo, funcionará, mas mal, trazendo desapontamento.” O conceito taoísta de we wu wei é muitas vezes associado com o conceito liberal, de origem francesa, de “laissez-faire” (deixe fazer).

Muitas pessoas fazem paralelo a essas ideias com o conceito de “ordem espontânea”, ligado ao pensamento do liberal do século XX Friedrich Hayek.

Aristóteles (384 a.c – 322 a.c) é um dos pensadores mais completos que a humanidade já conheceu. Nasceu em Estagira, foi médico pessoal de Amintas e conselheiro de Alexandre, o Grande. Estudou vários campos, como lógica, ética, física, metafísica, música, retórica, política, biologia, etc. Foi aluno de Platão e estudou na Academia Platônica.



Apesar de não ser enquadrado exatamente como um liberal, Aristóteles fez importantes contribuições para o liberalismo e defendeu algumas de suas pautas. Uma delas foi a propriedade privada. Ele rejeitava a ideia de seu mestre, Platão, de que a propriedade e a família deveriam ser coletivizadas, criando o argumento de que, quando uma terra ou um filho são considerados “seus”, você faz o máximo esforço para cuidar deles da melhor forma, o que, em última instância, trará benefícios para a sociedade.

Em relação à noção de propriedade privada, está ligada a divisão do trabalho. Aristóteles, em seus trabalhos sobre ética, dizia que a virtude tem a ver com realizar aquilo para o que você é encarregado. Um olho é bom quando ele pode ver, porque sua função específica é a visão. Assim, ele dizia também que os humanos deveriam ter funções específicas para outros humanos, e essa função deveria ser uma atividade da alma e da razão. A divisão do trabalho está ligada a essa ideia, porque, quando cada um é encarregado do que é melhor, a produtividade geral é maior, aumentando o bem-estar da sociedade.

Segundo ele, a democracia “pura” traria um governo que buscaria beneficiar apenas aos pobres. A oligarquia beneficiaria apenas aos mais ricos (apesar disso, não era completamente “meritocrática”). O ideal seria um sistema totalmente meritocrático, mas esse, para ele, era impossível. Então, num ponto intermediário entre o idealismo e o realismo, o melhor sistema seria uma mistura de oligarquia e democracia, em que vários pudessem votar, decidindo entre os mais virtuosos a participar do governo.

As teorias sobre o governo, de Aristóteles, são importantes porque ao mesmo tempo ele entende os males da democracia "pura" - em que todos os assuntos políticos são decididos pelo povo - e de governos dirigidos por classes ditas "superiores" - em que uma minoria pode guiar as decisões de uma maioria, sem nenhuma restrição.

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