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Entenda por que o PSDB não faz oposição ao PT e trabalha pela agenda socialista

Por Benjamin Lopes

Algumas pessoas ainda acreditam que o PSDB representa a direita e que ele é oposição verdadeira contra a agenda esquerdista do PT. Mas a realidade não é essa: PSDB e PT poderiam fundir-se exatamente agora e não seria nenhuma grande surpresa para quem acompanha a política de perto.


A foto acima com o ex-presidente Lula (PT) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não é apenas mais uma foto diplomática. Ela retrata uma aliança histórica e totalmente visível, em 1989, quando o PSDB, atualmente "odiado" pelos petistas, apoiou a campanha eleitoral do Lula no segundo turno para a presidência, fazendo oposição ao candidato Fernando Collor de Mello (PRN).


Mas não é apenas o apoio a Lula em 1989 que demonstra a farsa expressada no PSDB como oposição à agenda do PT ou enquanto representação da direita no Brasil. Em 2003, José Aníbal, naquele ano presidente do PSDB e atualmente o presidente do Instituto Teotônio Vilela (instituto responsável pelo treinamento dos políticos tucanos), escreveu a seguinte nota extremamente socialista e nada "social-democrata". Leia:

Só a ignorância pode explicar – sem, no entanto, justificar — o sectarismo presente à organização do XXII Congresso da Internacional Socialista, que acontece em São Paulo na próxima semana. O encontro deixou de lado forças representativas do campo progressista brasileiro, em especial o PSDB, numa demonstração de manipulação partidária, oficialismo e desconhecimento de nossa realidade política que é de causar vergonha aos que, ao longo da história, empunharam as bandeiras nobres da Internacional Socialista.
A clara perda de representatividade para o evento no plano nacional é resultado direto da simbiose entre um partido que não se cansa de mostrar tentações totalitárias e uma Internacional Socialista cujo comando se mostra, no mínimo, manipulável.
Estamos falando do PT, legenda de traço conservador indisfarçável, patente nas alianças que mantém com as piores oligarquias, no uso do marketing mais populista, no desprezo por conquistas sociais como o reforço das verbas para a saúde pública, no desrespeito a princípios básicos de proteção ao meio ambiente, na burla à ética pessoal mais óbvia que se exige do administrador público, no aparelhamento desenfreado da máquina estatal. Nada disso, nem a oportunista declaração do presidente Lula de que nunca foi de esquerda, impediu o PT de ser elevado à condição de anfitrião do congresso de São Paulo.
Com a agravante de que o ideologicamente vacilante Partido dos Trabalhadores é apenas observador na Internacional Socialista e assim irá se manter. Ao PDT, membro efetivo da organização, não foi dada a condição de atuar como anfitrião. É bom lembrar: o PDT hoje está longe do poder central.
Que interesses fizeram com que a organização do congresso, capitaneada pelo secretário-geral Luis Ayala, se permitisse envolver pelo canto de sereia do PT-governo? Chileno, Ayala deve ter conhecimento sobre os tantos quadros progressistas brasileiros — boa parte hoje do PSDB, mas também em outros partidos – que respaldaram e apoiaram seu povo contra a tirania de direita que assolou seu país. Procurando boa-fé, acreditemos que o viés sectário e chapa-branca do encontro de São Paulo é resultado de mera ignorância sobre o contexto político brasileiro ou fruto de incapacidade de fazer julgamentos ideológicos minimamente consistentes.
O fato é que, depois do ocorrido, expressões como representatividade, justiça, igualdade e, sobretudo, democracia, terão um pouco menos de significado cada vez que forem pronunciadas neste Congresso da Internacional Socialista.
A mesma foi intitulada como "Congresso da Internacional Socialista" e pode ser conferida no website oficial do PSDB na seguinte URL: http://www.psdb.org.br/congresso-da-internacional-socialista/ .

Desta forma, a primeira evidência é o fato do PSDB não ser de direita, portanto não a representa, e por isso não bate na agenda esquerdista. Mais do que isso, os tucanos dão suporte velado aos avanços dos socialistas e do PT. O vídeo abaixo é mais uma prova de como a diferença entre os partidos é somente a cor e o grau imediato do esquerdismo; sem verdadeiras e profundas discordâncias e sem a defesa de um projetos realmente diferente para o país. Assista:



Caso a discordância entre PSDB e PT fosse realmente profunda, o ex-presidenciável e atual mandatário do partido tucano não discursaria com tanta calma em relação às mazelas de Dilma Rousseff (PT). Este discurso, praticamente fazendo oposição somente ao impeachment, apenas auxilia a manutenção e continuação da agenda petista.

Mas por que esta "falsa oposição" está acontecendo no Brasil?

A falsa oposição entre PSDB e PT não surgiu por acaso ou ontem. A esquerda, bem como a direita, pensa em como chegar ao poder público e como mudar a sociedade. Aí entra o Foro de São Paulo: uma organização que reúne lideranças da esquerda latina.


O PSDB não participou do Foro de São Paulo, mas isto não implica que ele nunca colaborou com a agenda do mesmo. Da mesma forma, em 2003, não participava da Internacional Socialista, mas isto não implicou no repúdio ao socialismo e no trabalho contra a agenda esquerdista. Pelo contrário, resultou apenas em uma nota cheia de lágrimas causadas pela vontade enorme de ser reconhecido como o verdadeiro partido socialista do Brasil.

No entanto, a colaboração entre os dois partidos não limita-se a agenda socialista por meio das ideias e opiniões semelhantes discursadas livremente. Ambos as legendas participam de entidades com objetivos comuns. Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, é membro-fundador do Inter-American Dialogue; Lula é membro fundador do Foro de São Paulo. Tais entidades apresentam agendas com objetivos fechados e comuns entre ambas.

Ações em comum

Segundo a EIR (Executive Intelligence Review) publicada em Novembro de 1995, as ações em comum, entre o Foro de São Paulo e o Inter-American Dialogue, são:
  1. Separatismo étnico;
  2. Suporte ao regime Castro em Cuba;
  3. Aumento do poder das ONGs;
  4. Fortalecimento dos partidos políticos;
  5. Soberania nacional limitada na América Latina;
  6. Desmilitarização;
  7. Legalização das drogas; e
  8. Suporte financeiro aos membros do Foro de São Paulo em suas campanhas enquanto presidenciáveis.

Como opor-se aos mesmos objetivos?

Tanto os tucanos quanto os petralhas trabalham pelos mesmos objetivos, e há quem diga também sobre a existência de um acordo formal entre eles, o chamado Pacto de Princeton. Não irei adentrar neste ponto porque não encontrei fontes profundas sobre o assunto, mas os relatos, inclusive na imprensa, existem. Então a questão é: como entidades socialistas que compactuam da mesma agenda e nunca guerreiam entre si de verdade, ao ponto de um realmente prejudicar o poder e os objetivos do outro, são consideradas antagônicas e lados opostos?


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