Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Da Liberdade dos indivíduos perante o conjunto social - A questão da limitação das potencialidades humanas

Por Jean Rodrigues

"O antagonismo é o meio de que se serve a natureza para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposições.”

Durante grande parte da história da humanidade, os indivíduos, buscando a garantia dos seus direitos naturais, regularam as suas ações para um fim comum. O estado, o grande responsável por assegurar tais direitos, no início e em teoria parecia ser amigável, porém com o tempo, ao concentrar o poder no conjunto social se mostrou um vilão muito “perigoso“.

 Desde as épocas primitivas os grupos sociais possuíam como princípio um estado com o poder centralizado para governar toda a sociedade. Geralmente esse “poder” era exercido pela figura do Rei ou uma Minoria que formariam grupos únicos no exercício da administração e que consequentemente possuíam a influência de determinar a formação e estrutura da sociedade. Basta lembrar-se do “Estado Robbesiano”, cujos homens, em sua condição natural, estão separados uns dos outros por conta de seus desejos antagônicos, consequentemente em um constante “Estado de Guerra” e é apenas com um Estado Soberano e Autoritário para deter as ações de indivíduos que firam a liberdade de outrem.

Porém Estados Soberanos que centralizam o poder, não podem ser desejados, pois limitam completamente, literalmente, as potencialidades humanas. É impossível ser livre em uma sociedade onde o poder é exercido por um único “órgão”, pois tal poder também pode acabar sendo influente na esfera moral, o que é uma completa destruição da liberdade dos indivíduos. Como lembra muito bem Kant:

“[...] Um governo fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo, como o governo de um pai sobre os filhos, isto é, um governo paternalista (Imperium Paternale), no qual os súditos, tal como filhos menores incapazes de distinguir o útil do prejudicial, estão obrigados a se comportar apenas passivamente, para esperar que o chefe do Estado julgue de que modo deve eles ser felizes e para aguardar apenas da sua bondade que ele o queira, um governo assim é o pior despotismo que se possa imaginar”

A liberdade dos indivíduos, ou melhor, a sua completa liberdade, deixa de existir quando passam a conviver em sociedade. Esse fenômeno acontece, infelizmente, em todas as esferas como, por exemplo, a capacidade de constituirmos nossa existência de acordo com nossas próprias e reais vontades, a limitação de nossa livre iniciativa, a falta de liberdade no que diz respeito à edificação de nossas ideias etc.

“[...] O homem verdadeiramente razoável não pode desejar outro estado que não aquele no que cada indivíduo goza da mais ilimitada liberdade de desenvolver a si mesmo, em sua singularidade inconfundível, e a natureza física não receba da mão dos homens outra forma que não a que cada indivíduo, na medida de suas carências e inclinações, a ela pode dar por seu livre-arbítrio, com as únicas restrições que derivam dos limites de suas forças e de seu direito” – Humboldt

Liberdade e poder são considerados termos antagônicos, pois à medida que se aumenta o poder diminui-se, consequentemente, a liberdade e vice-versa.  Portanto é possível concluirmos que o poder concentrado, em um conjunto social, é algo muito perigoso, ainda mais quando é concentrado pelo Estado, pois diminui o grau de autonomia dos cidadãos, elementos constituidores do conjunto. O Estado ideal seria aquele com o poder reduzido, porém capaz de assegurar o direito dos indivíduos, tal como seria o Estado Liberal. 

A plena liberdade dos indivíduos assegura-lhes a capacidade de se desenvolver e consequentemente desenvolver o seu meio.  Buscando satisfazer suas vontades os indivíduos regulariam suas ações reciprocamente, ou seja, se relacionariam através de trocas que beneficiariam a todos. Não seria necessário assim então um “elemento” mediador de tais relações, mas sim, um elemento que garantisse a liberdade da relação e intervisse caso uma das partes não cumprissem o acordo.

O livre mercado é apenas o conjunto das ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos.”

“O antagonismo é o meio de que se serve a natureza para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposições.”

Vale ressaltar que na esfera das “Trocas”, não se trata apenas de trocas comerciais, mas também e principalmente as culturais. Por meio da completa liberdade os indivíduos possuem a possibilidade de conhecer melhor o mundo em sua volta. Adquirem a capacidade da alteridade.

Em um conjunto que nos impõe uma moral autoritária, perdemos a capacidade de apreendermos as diferentes concepções existentes e que consequentemente nos ajudam a evoluir intelectual, mas principalmente, moralmente. Cabe ao indivíduo, unicamente, a responsabilidade de desenvolver a si mesmo.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.