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A trajetória de Carly Fiorina nas eleições dos Estados Unidos


Por Wilson Oliveira

A candidatura de Carly Fiorina (texana de 61 anos) à presidência dos Estados Unidos pode ser classificada como inicialmente azarada e gradualmente surpreendente. Ex-CEO da Hewlett-Packard, Fiorina entrou na disputa completamente desconhecida do eleitorado americano. A única experiência que ele acumulava na política era um tentativa de se eleger senadora pela Califórnia, mas sem sucesso.

Invisível aos olhos da imprensa norte-americana quando o assunto eram as prévias do Partido Republicano, Fiorina deixou todos de boca aberta quando demonstrou, com classe e elegância, a sua habilidade para defender seus pontos de vista, em debate realizado pela rede CNN, no dia 14 de outubro, na Biblioteca Reagan, localizada nos arredores de Los Angeles (confira aqui a parte 1 e aqui a parte 2, ambas com legenda em português). Foi lá que ela encarou de frente o milionário Donald Trump, até então favorito absoluto, e fez aquele que costuma falar o que pensa recuar e até mesmo ponderar suas respostas.

Num dos enfrentamentos entre os dois, Trump afirmara que Fiorina era "uma mulher bonita com um rosto bonito", quando questionado sobre a única presença feminina na corrida pela candidatura oficial dos republicanos. Fiorina mostrou sua elegância ao utilizar apenas uma frase que deixou Donald Trump sem possibilidade de réplica: "Todas as mulheres da América ouviram o que Trump disse". Esse momento provocou a maior reação positiva do público presente ao evento.

Política, séria e firme, mas sem fazer o tipo político tradicional em todos os momentos, Carly Fiorina reúne credenciais que costumam ser do agrado do eleitorado norte-americano, que não possui o voto como obrigação, portanto tem que ser convencido a exercer o direito de escolha. Com essas características, a candidata republicana respondeu uma questão embaraçosa que para muitos talvez nem fosse possível formular resposta.

Afastada da HP num momento de grave reestruturação para empresa, Fiorina viu as ações da multinacional subirem 6,9% após sua saída. Logicamente esse tema não ficaria fora do debate, mesmo se tratando de uma candidata até então desconhecida. Com a habilidade de uma executiva bem sucedida profissionalmente, Mrs. Carly foi direto ao ponto. Demonstrando uma memória invejável, apresentou um agrupamento de números e estatísticas que ninguém ali presente teve coragem de rebater. E o que foi dito por ela não foi da boca para fora.

Fiorina entrou no mundo corporativo nos anos 80, na companhia de telecomunicações AT&T, começando em cargos inferiores e alcançando funções executivas. Atingiu o topo da sua carreira quando foi nomeada CEO de tecnologia da Hewlett Packard, chegando ao ponto de, em 1999, ser considerada pela imprensa dos Estados Unidos uma das mulheres mais poderosas daquele país.

Para muitos, Carly Fiorina pode ser comparada a Dama de Ferra do Reino Unido Margaret Tatcher. Com uma aparência que sugere delicadeza pelo simples fato de ser mulher, ela rapidamente muda a impressão do interlocutor quando começa a falar. Com uma fortaleza marcante ao expor o que pensa, arrancou aplausos do público quando, questionada sobre aborto, foi a única candidata a demonstrar coragem de fazer críticas contundentes a rede de clínicas Planned Parenthood, que divulgou vídeos com integrantes da sua equipe fazendo comentários sobre como acontece a venda de partes de um feto cujo aborto tenha sido mal sucedido (a empresa tem sido alvo de protestos desde então em todo território norte-americano).

Nas primeiras pesquisas, Fiorina apresentou números irrisórios de intenção de voto, talvez contando apenas com amigos, parentes, conhecidos e profissionais da HP. O resultado fez com que ela largasse em posições bem inferiores numa disputa que conta com 15 postulantes ao cargo de candidato oficial do Partido Republicano. No entanto, como um carro superpotente da Nascar (tradicional prova de corrida automobilística dos Estados Unidos), ela acelerou fundo, fazendo o motor roncar e já deixou para trás a maioria dos concorrentes. Atualmente, está em terceiro nas prévias do partido, com 10%, atrás apenas de Donald Trump e Ben Carson.

A exemplo do que aconteceu com o atual ocupante da Casa Blanca, Barack Obama, pelo menos em termos de campanha Carly Fiorina está fazendo história. E a preparação do seu lançamento foi com esse objetivo. O documentário que a apresentou aos republicanos já começa causando impacto por abrir com uma música épica. Uma foto em preto e branco, de uma menininha com um ursinho, ilustra uma narração com voz de trailer de filme que diz: "Era uma vez uma humilde criança do Texas que se tornou a mulher mais poderosa de uma das maiores empresas do mundo. E então, quis ser presidente dos Estados Unidos". A menina da foto, claro, é Carly Fiorina. O documentário, que conta a história da sua vida, tem o seguinte título: "De Secretária a CEO, o sonho americano em carne e osso".

Confira o discurso, legendado pelo canal Tradutores da Direita, em que Carly Fiorina se apresentou aos republicanos como candidata à presidência:

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Muito obrigado, Guilherme! O seu sobre Liberalismo na Antiguidade também ficou muito qualificado e educativo. Abs!

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